PRÉMIO NACIONAL DE REABILITAÇÃO URBANA 2017

31 Mar 2017

PRÉMIO NACIONAL DE REABILITAÇÃO URBANA 2017

ESTUFAS TROPICAIS DO JARDIM BOTÂNICO DA UNIVERSIDADE DE COIMBRA

 

Nome: Estufas Tropicais do Jardim Botânico da Universidade de Coimbra

Localização: Coimbra, Portugal

Promotor / Dono de Obra: Universidade de Coimbra

Arquiteto: João Mendes Ribeiro

Projectos de Engenharia: Estruturas: Afonso Serra Neves, Jorge Martins, Vitor Silva (GEPEC); Inst hidráulicas: Rossana Pereira (GEPEC); Inst. eléctricas: Alexandre Martins (GPIC); Inst. Mecânicas: Raul Bessa; Segurança: Alexandre Martins (GPIC)

Construtor: Tecnorém - Engenharia e Construções, S.A.

Financiamento: QREN. Mais Centro Data do fim de construção: 28.10.2016

 

Impacto no tecido urbano / Impacto na actividade económica da cidade

O Jardim Botânico de Coimbra é um espaço de grande importância para a cidade de Coimbra, dada a ligação à Universidade e ao facto de ocupar um espaço predominante que relaciona a Alta e a Baixa de Coimbra (centro histórico). Desde 2013, faz parte do Património da Humanidade da UNESCO. Historicamente, este tipo de equipamentos surgiu no final do século XVI nas regiões do Norte da Europa. Em Portugal, as estufas do Jardim Botânico são as primeiras e surgem no século XIX, aquando da vulgarização da arquitetura do ferro e da sua aplicação a equipamentos públicos. As características excepcionais deste edifício, constituído por estruturas ligeiras e transparentes, fazem com que a sua reabilitação promova e divulgue o próprio Jardim Botânico, a Universidade e a cidade de Coimbra, propiciando não só um espaço para albergar espécies, mas também um edifício-museu, que funciona pela sua própria história e posição. O Jardim Botânico tem uma forte componente educativa e cultural, associada à investigação, à conservação da biodiversidade, à educação, docência e divulgação de ciência, uma forte componente turística, dado o elevado número de turistas que visitam a Universidade de Coimbra e uma forte componente social, dada a sua ligação e apelo à comunidade (um espaço dedicado à fruição dos cidadãos de Coimbra). A sua reabilitação promove a protecção de valores culturais e patrimoniais, beneficiando e regenerando o centro histórico e a Universidade de Coimbra.

Evidência de sustentabilidade da intervenção / Qualidade da intervenção do ponto de vista arquitectónico

As intervenções levadas a cabo assentam na utilização racional dos materiais, na óptica da sustentabilidade e na qualidade da intervenção, enquadrada no inegável valor patrimonial das Estufas , sem afectar a estrutura original. De todas as intervenções realçam-se a demolição e substituição da estrutura existente em betão na ala central por elementos metálicos, a reorganização dos canteiros nas alas laterais para acomodar novos usos, a alteração dos vidros complementada com um sistema de sombreamento, a acomodação discreta de equipamentos e tecnologia necessários, o edifício do Ciência in Situ, os arranjos exteriores e a conservação e restauro.

Intervenções de conservação e restauro

No que respeita às intervenções de conservação e restauro, preconizou-se uma intervenção minimal, com respeito pelas marcas acumuladas ao longo dos tempos. Previamente ao arranque da empreitada, na fase de projecto, elaborou-se um levantamento e mapeamento das patologias. A intervenção recaiu essencialmente na consolidação, limpeza e tratamento das superfícies e volumes de pedra, dos elementos metálicos, nomeadamente, da estrutura da estufa, ou outros elementos metálicos com função decorativa e dos paramentos em reboco. Executaram-se acções localizadas de manutenção, com vista à reposição de condições de estabilidade dos elementos arquitectónicos, designadamente, das peças estruturais das Estufas, elemento a elemento, bem como de elementos de ornamentação que manifestaram sinais de instabilidade, a eliminação ou minimização da acção de agentes causadores de degradação dos materiais e a obtenção de melhores condições de resistência à acção dos agentes atmosféricos. Tal como previsto em projecto, foi possível manter as características da estrutura, assumindo a sobre-carga do novo vidro sem adicionar qualquer elemento de reforço. As intervenções de conservação e restauro sobre superfícies e volumes em pedra do Bordalo consistiram na desinfestação de vegetação superior e colonização microbiológica, na limpeza de superfícies, no tratamento de juntas, fissuras e fracturas, na consolidação, desmonte, reconstrução e protecção. Quanto aos paramentos rebocados, nas paredes norte e as paredes transversais interiores, da Estufa, procedeu-se à picagem e remoção da camada superficial do reboco, o esboço, ao tratamento da parede e à execução de nova camada à base de cal com adição de pigmento ocre, ficando como acabamento final da parede.

( Texto de apresentação da autoria do Arquitecto João Mendes Ribeiro )

http://www.construir.pt/2017/03/30/vencedores-do-premio-nacional-de-reabilitacao-urbana-ja-conhecidos/

http://campeaoprovincias.pt/noticia/estufas-do-jardim-botanico-vencem-pr...